Quarta, Fevereiro 08, 2012
Leitura bíblica diária
  • A verdadeira felicidade
    Salmo 1

    Felizes são aqueles que não se deixam levar pelos conselhos dos maus, que não seguem o exemplo dos que não querem saber de Deus e que não se juntam com os que zombam de tudo o que é sagrado! Pelo contrário, o prazer deles está na lei do SENHOR, e nessa lei eles meditam dia e noite. Essas pessoas são como árvores que crescem na beira de um riacho; elas dão frutas no tempo certo, e as suas folhas não murcham. Assim também tudo o que essas pessoas fazem dá certo. O...
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“Por uma Amizade mais Altruísta”

*Rev. Emerson de Arruda

 

O cantor e poeta popular Milton Nascimento reconhecido como um dos grandes nomes da Música Popular Brasileira (MPB), em um de suas músicas acerca do valor da amizade, disse que “amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito, debaixo de sete chaves e dentro do coração.”

A letra dessa música aponta para a verdade de que o homem como ser social não constrói sua história sozinho. Ele caminha nesse mundo, palco da nossa existência, tendo contato com o meio, influenciando e sendo influenciado a todos os momentos. E nessa trajetória existencial aparecem pessoas que marcam o seu coração com alegria e ternura. Essa marca, impressa em nosso ser, personifica ou materializa a idéia de amizade e companheirismo.

Como dissemos ainda pouco, existe dentro de todos os homens a semente da sociabilidade. Há uma necessidade inerente no humano de se envolver, de compartilhar os seus sonhos, suas vitórias, tragédias e conquistas. Nesse envolvimento cotidiano encontramos seres que se tornam singulares, pois doam carinho verdadeiro, proximidade sem segundas intenções, ombro para chorarmos, ouvidos para escutarem nossos lamentos e voz pra chamar nossa atenção quando for preciso. Tais pessoas recebem o nome de amigos.

Gabriel Chalita em seu livro “Pedagogia do Amor” nos ajuda quando diz que a palavra amizade vem do latim amicitia, que significa afeição, simpatia, aliança, pacto, apego, amizade. Esse escritor lança luz sobre nossa ignorância ao afirmar “que mesmo com todas as possíveis significações do termo amizade, não podemos esquecer que estamos nos referindo a um conceito abstrato e que, portanto, não é palpável, não é mensurável, nem é visível. Essa amizade é um elo capaz de unir pessoas para sempre, mesmo que elas estejam geograficamente distantes”.

Para o filósofo Aristóteles, nascido em Estagira, em 384 a.C., a amizade era antes de tudo uma grande virtude, o bem mais precioso da vida, sem ela, de nada adiantaria ter poder, dinheiro e sucesso.

Silvio Pellico (1789-1854) em “Deveres dos Homens”, de uma forma franca e ao mesmo tempo inquietadora disse no passado: “não queiras esforçar-te para ter amigos. É melhor não ter nenhum do que ter que se arrepender de tê-los com precipitação. Mas quando tiveres encontrado um, honra-o com alta amizade.”

Unamuno (1864-1936) em “Ensaios: O Segredo da Vida” lança outro aspecto importante do papel dos amigos, ao ensinar-nos que “cada novo amigo que ganhamos no decorrer da vida nos aperfeiçoa e enriquece, não tanto pelo o que nos dá, mas, quanto pelo que nos revela de nós mesmos”.

Ao analisarmos rapidamente as visões dos três autores citados, vemos de certa forma uma crença de que a amizade verdadeira é valiosíssima e que devemos honrá-la.

Diante dessa realidade é necessário compreender que uma das primeiras virtudes que precisamos resgatar em nossa amizade é a capacidade de motivarmos os que fraquejam diante das intempéries que a vida nos traz.

Independente da nossa postura religiosa, política ou filosófica somos atropelados por situações imprevistas e diante delas ficamos com medo, emudecidos, envergonhados, apavorados, desanimados e até mesmo petrificados. Nesses momentos de intranqüilidade é necessário uma palavra de ânimo, que traga vivacidade ao coração atrofiado pelo pessimismo. Os amigos verdadeiros animam o coração.

Mas o que é ânimo?

Ânimo é a coragem, a disposição, a determinação diante do perigo. O verbo animar significa: dar a alma ou a vida, dar animação, vivacidade e incentivar. Esse verbo vem de um termo grego chamado anapsiko, que traduzido literalmente seria refrescar, revigorar, reanimar, renovar, restaurar, consolar, confortar, criar ânimo, elevar a alma, o espírito e trazer alegria.

Os amigos genuínos possuem a capacidade de levantar a auto-estima de que está cabisbaixo. Eles consolam o coração do ferido emocionalmente, confortam e trazem alegria a uma face que perdeu o sentido de sorrir e viver.

Na amizade precisamos contemplar o amor ao próximo, a abnegação e a filantropia.Precisamos aprender a consolar os outros com palavras de incentivo e de determinação.Precisamos de uma amizade mais altruísta, eficaz, presente, amiga e menos egoísta. Precisamos crescer relacionalmente, humanamente, socialmente e espiritualmente.Precisamos animar o coração de todos os que carecem de atenção e incentivo.Animar os filhos quando estes não conseguem atingir os ideais paternos e os patamares implantados pela geração condicionada e conduzida pelo presentismo. Animar esposas, maridos, mães e familiares que por amor a nós, abandonam seus sonhos para viverem os nossos. Animar funcionários que na grande maioria das vezes se tornaram objetos inanimados com os quais crescemos financeiramente e não os valorizamos como pessoas importantes e dignas. Animar o nosso próprio ser dando-nos a chance de errar, de reconhecer nossa finitude, a pontinha de arrogância que infelizmente carregamos, de recomeçar e de viver a cada dia em busca do crescimento e do amadurecimento.

Precisamos urgentemente da amizade que tem raízes na fraternidade e no companheirismo genuíno. Procura-se amigos de fato e de verdade.

Emerson de Arruda é bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica – Seminário Teológico   Presbiteriano José Manoel da Conceição e é ministro evangélico da Igreja Presbiteriana de Jaciara – IPB.

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