|
Dizem os entendidos que, quando a criança ainda está no ventre da mãe, seu coração bate ao ritmo do coração materno. Mais precisamente, a cada batida do coração da mãe, o coração da criança dá duas batidas. Há uma sincronia perfeita entre os dois corações.
Logo após o nascimento do bebê, os médicos recomendam que se coloque a criança no colo da mãe, com o ouvido encostado junto ao peito dela, para ouvir seu coração. Isso alivia o estresse das horas do pós-parto e permite o fortalecimento do vínculo afetivo entre o bebê e a mãe. É um momento de grande intimidade em que se pode dizer que os dois são um só coração.
Toda vez que abraçamos nossa mãe, nosso coração se aproxima do dela, e o abraço pode expressar sentimentos, ideias e desejos que estão além da força das palavras. Um abraço calmo, amoroso, demorado reata os laços da intimidade e conforta até mesmo o mais atribulado coração de mãe. Esse mesmo coração que talvez já esteja fraco e que certamente já passou por muitos sobressaltos precisa, quem sabe, ouvir os ritmos do coração de um filho. Então, se isso acontecer, há uma curiosa inversão. A mãe, abraçada ao peito do filho, acalma-se ao ouvir as batidas do coração dele.
No caso de Maria, a mãe de Jesus, seu coração alegrou-se sobremaneira com o nascimento do seu filho. Ao apresentá-lo aos sacerdotes, no templo, havia poucos dias do nascimento da criança, Maria foi saudada pelo velho Simeão, que deu a ela um estranho aviso: “Uma espada atravessará o teu coração”. Certamente, o profeta estava antecipando os sofrimentos que a mãe haveria de enfrentar.
Trinta e poucos anos mais tarde, ao pé da cruz, Maria tomaria nos braços o filho amado, ferido e inerte. Talvez ela tenha encostado o ouvido junto ao peito do filho, para tentar auscultar seu silenciado coração. Naquele momento, ela deve ter se lembrado das palavras cortantes de Simeão.
Hoje é um dia perfeito para irmos ao encontro daquela que nos gerou por longos nove meses, que sofreu e se alegrou ao nos dar à luz, que nos colocou junto ao seu peito e nos acalmou com carinho, que nos amamentou tantas incontáveis vezes e cujo coração sofre ao se separar do nosso.
Talvez com palavras de ternura, talvez sem palavra alguma, apenas com um abraço demorado, mais uma vez aproximemos o nosso coração do coração daquela que um dia nos deu o ritmo e a vida.
Pr. Gladir Cabral