“O IMPORTANTE É A FÉ E NÃO A RELIGIÃO”
Esta frase foi publicada em uma revista de circulação nacional e expressa o sentimento dominante no cenário religioso do Brasil. Cansados de testar as variadas formas de expressões religiosas e de conhecer as polêmicas denominacionais e eclesiásticas, cresce cada vez mais o números de pessoas que adotam uma fé (normalmente elaborada por seus próprios sentimentos, conclusões e convicções) e se mantém a margem de religião, ou quem sabe devêssemos dizer de igrejas.

Contudo, esta prática está baseada em uma falácia sutil, ou seja, tal conduta de fé não religiosa, depende da possibilidade de se separar a fé da religião. Como se tais elementos fossem departamentos separados estanque da vida. As pessoas gostam de orações, dos cultos movimentados e populosos, mas evitam ao máximo as responsabilidades, os compromissos, “as cobranças”, etc. Esta possibilidade é falaciosa, em primeiro lugar, por uma questão semântica. A palavra traduzida por “religião” (eusebeia) é usada para traduzir “piedade”, que em última instância pode ser definida como “fé” (I Tm. 3:16; I Tm 4:8; I Tm 5:4; Tt 1:1; II Pe. 1:3).
Em segundo lugar, tal proposta não é verdadeira porque aqueles que se aventuraram em colocá-la em prática, não foram bem sucedidos. Este é o caso do jovem rico (Mt 19:16-22) que apesar de levar uma vida religiosa, não encontra a fé. A sua busca não demonstra apenas que religião sem fé é insatisfatória, mas também que fé sem religião é uma ilusão. Não podemos nos esquecer que os mandamentos aos quais Jesus se referiu são a essência da religião daquele jovem, e cumpri-la só é possível pela fé.
As palavras do apóstolo Paulo são úteis para demonstrar à impossibilidade de se viver a fé sem religião. Em sua primeira carta aos Coríntios ele escreve: À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso ( I Co. 1:2).
Observe que para Paulo, o chamado de Deus se faz sob dois aspectos, a saber: Fomos chamados para sermos santos (ou seja, vivermos em fé). Mas fomos chamados para sermos santos com todos, ou seja, com a igreja. Em suma, a Bíblia nos ensina que o propósito de Deus é que tenhamos fé e vivamos em comunhão na igreja e isto só é possível com responsabilidade e compromisso. Diante de nós se descortinam, então, dois caminhos: O caminho largo da ilusão de uma fé sem religião sem fé; e o caminho estreito da fé religiosa, ou da religião da fé. Ou quem sabe fosse melhor dizer da fé que se expressa na comunhão dos santos, que se alimenta na igreja, e se pratica na vida.
Rev. Jôer Corrêa Batista Pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia desde 1999 e professor do Seminário Presbiteriano Brasil Central de Goiânia - GO, na Cadeira de Novo Testamento.