
Natal! Período de presentes, festas, parentes e amigos em casa, cartões de felicitação, etc. E daí? Em meio a tudo isso qual é a reação dos homens quanto à celebração do natalício daquele que surgiu e mudou a história? Daquele que não foi apenas um ser humano melhor do que nós, nem um homem que se tornou Deus, mas que era o próprio Deus encarnado? Qual a sua reação para com ele e esta data tão significativa para nós?
No primeiro domingo do advento, chamamos sua atenção para uma reflexão sobre o texto de Mateus 2.1-18, que nos mostra as reações de Herodes, dos escribas e sacerdotes e dos magos, diante do nascimento do menino Jesus. Vejamos então cada uma dessas reações:
No caso de Herodes, a reação foi de hostilidade. Isso é até explicável, uma vez que essa era uma marca presente no seu governo. Herodes era filho de um judeu muito influente na Judéia depois da conquista romana, quando os macabeus deixaram de exercer o controle e o poder sobre a nação (166 – 37 a.C.). Todavia, Herodes, nomeado governador da Galiléia, veio a estender seu poder sobre a Judéia também. Herodes havia se casado com Mariana, neta de Hircano (macabeu), tornando-se parte dessa família. Acontece que o irmão de Mariana, Aristóbulo, foi nomeado sumo-sacerdote. Ele ficou muito popular e Herodes mandou afogá-lo. Sua irmã, Mariana, ficou enfurecida e Herodes mandou executá-la. Até mesmo seus dois filhos foram estrangulados, vítimas de sua paranóia.
Desta forma, o reinado de Herodes foi marcado por atos sangrentos, pois ele vivia sob o pavor de que um descendente dos macabeus subisse ao poder para tomar-lhe o trono.
Quando Jesus nasceu, Herodes, ao ouvir sobre um rei que viria libertar e salvar os judeus, associou Jesus a toda este contexto e sentiu-se alarmado (v.3) – o medo de perder o poder, o domínio e o controle da situação era real. Este foi o motivo da reação de Herodes. Na verdade, inicialmente demonstrou-se amável e disposto a adorar o menino (v.8), mas depois é revelada sua verdadeira intenção: desejava matá-lo (v.13 e 16).
Hoje, as pessoas participam com entusiasmo das festividades desta época, mas têm seus corações hostis e fechados para Jesus Cristo. Hostilidade essa que é manifestada pelo ódio, pela desobediência aos seus mandamentos e de tantas outras formas. Muitos ainda manifestam esta hostilidade, gritando no fundo de seus corações: Crucifica-O! Crucifica-O! Manifestamos hostilidade quando nos rebelamos diante da Sua vontade.
A segunda reação que destacamos é a dos sacerdotes e os escribas, que foi a indiferença (v.4-7).
O texto nos mostra que Herodes diante daquela situação manda chamar os principais sacerdotes e escribas para indagá-los sobre a questão. Ali é descrito que eles apenas o comunicaram a respeito do fato, mencionando o que estava escrito. Foram apáticos aquele grande e majestoso evento. Não tiveram nenhuma iniciativa para exaltar e glorificar aquele que veio trazer a redenção. Esta, talvez seja a mais mórbida das reações. Ela é sutil, disfarçada, carregada de desprezo, de ironia, é marcada por uma vida camuflada.
Os dias em que vivemos são propícios para este tipo de reação. As pessoas, cada vez mais, encontram razões para “justificar” sua indiferença. São tantos afazeres, tantas atividades, tanta preocupação com o trabalho, com o dinheiro, com o sucesso, com o status, que mesmo aqueles que se dizem crentes vivem uma vida de indiferença para com Jesus. Assim como os sacerdotes, escribas e fariseus conhecem o que a Lei diz acerca de Jesus, mas não conhecem a pessoa de Jesus na sua vida diária.
Nada distorce e danifica mais a nossa alma como um baixo e indigno conceito de Deus; como a indiferença para com o Senhor Jesus e a sua Palavra. Um dos nossos grandes problemas hoje não é a falta de clareza da Bíblia, mas é a falta de disposição para levar a palavra de Deus a sério. Assim como os sacerdotes e escribas, amantes da sua religião, nosso maior problema é conseguir o consentimento das nossas mentes amantes do mundo para termos Jesus como Senhor; é dar a devida atenção e importância a Palavra de Deus.
Mas temos um terceiro grupo - os Magos – que demonstram uma reação totalmente diferente das duas primeiras: é a adoração (v.2).
A fala dos magos tem muito a nos revelar. A declaração deles aponta para a esperança messiânica: “O recém-nascido Rei dos judeus”. É certo que eles já consideravam esse ser como divino. A pergunta ecoa: Onde está, pois queremos adorá-lo?
Eles acompanhavam uma estrela que os guiava. Não sabemos se essa estrela era um fenômeno astronômico sobrenatural ou um fenômeno natural observado pelos magos, que possivelmente eram astrólogos da mesopotâmia. A estrela parou porque ali estava o Salvador.
A igreja tem perdido a devoção, o temor e até mesmo o desejo de adorar a Deus. É isso mesmo! Pessoas têm procurado experiências desvinculadas da pessoa de Jesus Cristo, desvinculadas do novo nascimento. Elas não mais se importam se Cristo está ali ou não. Os magos se alegraram, se prostraram e adoraram porque ali estava o Filho de Deus, a própria salvação.
Tiveram a oportunidade de presentear o grande Rei. O verso 11 nos mostra os seus presentes, que segundo grandes estudiosos são representativos do ministério de Jesus: ouro, incenso e mirra. Têm presentes e tem adoração em nossos dias sendo pretensamente oferecida a Deus, que nem o diabo aceita.
Charnock, um puritano, em seu sermão intitulado adoração espiritual, baseado em João 4.24, define adoração como “um ato de entendimento, que se concentra sobre o conhecimento das excelências de Deus e sobre os pensamentos a respeito da majestade dEle... Também é um ato da vontade, por meio do qual a alma adora e reverencia a majestade de Deus, encanta-se diante de sua amabilidade, abraça a sua bondade, entra em uma comunhão íntima com esse mais amável dos objetos e deposita nEle todos os seus afetos.”
Eles deixaram tudo para ir adorar o menino. E você, o que tem feito? Qual tem sido a sua reação diante da celebração do natalício de Cristo? Oferte para Deus o seu tempo, o seu dinheiro, o seu coração, toda a sua vida. Obedeça-o. Dedique-se ao seu serviço.
Pastor Eduardo