“Dada esta época festiva, eis que me surgiu a questão: o que é o Carnaval? Qual a sua origem? Muito se tem dito sobre as origens do Carnaval, havendo aqueles que dizem que remonta à Grécia Antiga, outros vão mais longe e datam-no de 6000 a.C., remontando às antigas civilizações Suméria e Egípcia. Na origem dos rituais estão a celebração da fertilidade e das colheitas nas margens do rio Nilo. Mais tarde, na civilização grega, os rituais evoluíram para uma celebração acompanhada de bebida e de sexo, em honra do deus Dionisus - as quais se chamavam celebrações dionísicas. Na Roma Antiga, tinham lugar os bacanais em Honra a Saturno (Deus da Agricultura), Baco (Deus do Vinho) e Pã (Deus dos bosques, dos pastores e dos rebanhos). Acresce aqui ainda, funções política e de distinção social, através da sátira, tolerava-se, nos festejos, a crítica ao governo e governantes. É proibido na civilização judaico-cristã, fundamentada na abstinência, na culpa, no pecado, no castigo, na redenção e na penitência. Só no século XV é, com o Papa Paulo II, que se retomam as suas celebrações, embora com um caráter diferente - este introduz os bailes de máscaras. Como a Igreja proibia as manifestações sexuais no festejo, estas foram substituídas por corridas, desfiles, fantasia, morbidez e devassidão. Estava reduzido o carnaval à celebração ordeira, de caráter artístico, com bailes e desfiles alegóricos. Em Portugal, o Carnaval é um misto de religiosidade com paganismo. No folclore português está enraizado o enterro de uma personagem, de um animal ou de uma coisa comum, como celebração da Vida - mais comumente o enterro do Bacalhau - precedido por danças, cortejos, muita cor, luz e música. Assim se vislumbram os motivos da morte que se projetam da festa da vida que é o Carnaval. Em muito locais, associado ao Enterro do Bacalhau, surge um Julgamento, que funciona como sátira à imposição eclesiástica de abstinência e jejum durante a Quaresma.
No Brasil, os festejos carnavalescos - ou Entrudo - foram levados pelos portugueses. Durante estes festejos eram levadas a cabo brincadeiras violentas, como os foliões a lançarem farinha, tintas e água suja uns aos outros. Estas práticas foram proibidas por lei e, por isso, passaram a ser utilizadas serpentinas de papel e confetes coloridos. Aos poucos, o entrudo português foi sendo adaptado, ao assimilar as tradições africanas. A tradição dos desfiles tem origem nas reuniões de escravos, que organizavam cortejos com bandeiras e improvisavam cantigas ao ritmo de marcha. Aos escravos devem-se os ritmos e instrumentos de percussão usados no Carnaval brasileiro. No século XIX, os operários urbanos começaram a juntar-se em grêmios (associações profissionais), que continuaram e desenvolveram a tradição dos desfiles. Ao mesmo tempo que se desenvolviam as futuras escolas de samba, institucionalizadas no Rio em 1935, as classes altas importavam da Europa os sofisticados Bailes de Máscaras e as Alegorias. Em 1870 foi criado o Maxixe, um tipo de música específico para o Carnaval. Hoje em dia, o Carnaval é um dos expoentes máximos do Brasil, atraindo anualmente turistas de todo o mundo” (Muppets Show: Carnaval – copiado). Essa, juntamente com o futebol, ainda tem sido a nossa maior propaganda no exterior.
“Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus.” (Ef 5.15,16). Estejamos pois atentos, vigilantes e em oração.
Pr. Jorge