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(parte I)
Ela não é a mensagem; antes é o meio de proclamação; todavia, neste ato de proclamação das virtudes de Deus, ela torna patente a sua identidade divina, demonstrando o poder daquilo que ela testemunha, visto ser a Igreja o monumento da graça e misericórdia de Deus, constituído a partir da Palavra criadora de Deus”[1].
Antes de prosseguir é de grande relevância ter bem claro em nossa mente a definição de igreja. A palavra “Igreja” é a tradução do termo grego “ekklēsia”, que tem basicamente o sentido de “assembléia”[2]. Na verdade a igreja é a continuidade de Israel, isto é, do pacto que Deus havia estabelecido no Antigo Testamento.
No Novo Testamento encontramos várias expressões e termos que fazem alusão a “igreja”: é a família de Deus (Efésios 2.19, 3.15); o rebanho de Deus (João 10.16; 1Pedro 5.2); o Israel de Deus (Gálatas 6.16); o corpo e a Noiva de Cristo (Efésios 1.22-23, 5.23-32; Apocalipse 19.7, 21.2, 9-27); o templo do Espírito Santo ou a habitação de Deus (1Coríntios 3.16; Efésios 2.19-22)[3]. Nesta linha, é possível entender que “a Igreja refere-se a todas as pessoas que pertencem ao Senhor, aquelas que foram compradas pelo sangue de Cristo”[4].
Também “podemos definir a Igreja como sendo a comunidade de pecadores regenerados, que pelo dom da fé, concedido pelo Espírito Santo, foram justificados, respondendo positivamente ao chamado divino, o qual fora decretado na eternidade e efetuado no tempo, e agora vivem em santificação, proclamando, quer com sua vida, quer com suas palavras, o Evangelho da Graça de Deus, até que Cristo venha[5]. Desta forma, após definir o que é Igreja, vejamos algumas considerações quanto a sua missão evangelizadora:
A Igreja é formada pelos eleitos de Deus desde a eternidade, que foram alcançados e chamados pela pregação da palavra. A esse respeito KUIPER assevera que “Deus fez a escolha dos seus desde a eternidade. Na eternidade decretou que fossem salvos. Igualmente na eternidade decretou o método completo e todos os meios de salvação deles (...) É evidente, pois que a pregação do Evangelho é importante elo da corrente de fatos que constituem a concretização da eleição[6].
Os crentes alcançados pela graça de Deus se tornam instrumentos da bendita salvação, a fim de que os eleitos de Deus sejam salvos. Esta é sem dúvida a missão da igreja, evangelizar o mundo perdido, sendo sal e luz num mundo que jaz em trevas e corrupção.
Sendo assim, a mensagem que pregamos são boas novas de Deus para o mundo perdido, porém, esta mensagem são boas novas pelo fato de se originarem em Deus, e não pela mensagem em si. Sobre isso, COSTA diz que “...devemos ter sempre em mente, que a teologia nunca é a causa, o fundamento, antes é sempre o efeito da ação primeira de Deus em revelar-se”[7].
continua...
Pastor Eduardo
[2] Para uma análise mais detalhada palavra “ekklēsia”: BROWN, Colin., COENEN, Lothar (orgs.). Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, Vol. 1. 2ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2000, p.984-999.
[3] Cf. PACKER, J. I. Teologia Concisa: síntese dos fundamentos históricos da fé cristã. 1ª ed. Campinas: Cultura Cristã, 1999, p.187. Ou ainda: Bíblia de Estudo de Genebra. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil; São Paulo: Cultura Cristã. 1999 p. 1403 (nota)
[4] SPROUL, R. C. Verdades Essências da Fé Cristã. 3º Caderno. São Paulo: Cultura Cristã, 1999, p. 07.