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Entender os fatores determinantes para a evangelização é uma tarefa extremamente necessária, pois ajuda a Igreja a ter plena consciência da sua missão, definido as suas motivações. Assim, a Igreja poderá evitar alguns erros cometidos no passado[1] permanecendo firme e desenvolvendo o seu papel com fidelidade ao Senhor. É importante destacarmos aqui que a ordem em que os fatores descritos aparecem não visa expressar um juízo de valor ou prioridade. Vejamos então os fatores determinantes para a evangelização:
O primeiro e maior mandamento é o amor a Deus (Mateus 22.37). De acordo com o próprio Jesus, demonstramos que o amamos quando obedecemos aos seus mandamentos, cumprindo fielmente as suas ordens (João 14.16, 21, 23; 1João 5.3). Como já afirmamos, evangelizar é ordem de Deus! (Cf. Mateus 28.19; Marcos 16.15; 1Coríntios 9.16) Se a Igreja ama de verdade ao seu Senhor, deve então obedecê-lo: Deve evangelizar!
O segundo maior mandamento é o amor ao próximo: (Mateus 22.39). Segundo esse texto, a medida do nosso amor ao próximo é amá-lo como a nós mesmos. Se queremos ser salvos, desfrutar da maravilhosa presença de Deus em nossa vida, e receber o céu, devemos querer que o nosso próximo também alcance esta grande bênção. Paulo demonstrou isso quando escreveu sobre os judeus dizendo: “Digo a verdade em Cristo, não minto, testemunhando comigo, no Espirito Santo, a minha própria consciência: tenho grande tristeza e incessante dor no coração; porque eu mesmo desejaria se anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, segundo a carne [...] Irmãos, a boa vontade do meu coração e a minha súplica a Deus a favor deles são para que seja salvos” (9.1-3 e 10.1). Desta forma, se a Igreja ama ao próximo de verdade deve então evangelizá-lo.
[1] Cf. KUIPER, R. B. Evangelização Teocêntrica. São Paulo: PES, 1976, p. 75.
A Escritura é categórica em nos afirmar que o homem sem Deus vive perdido e sem nenhuma esperança no coração: (Efésios 2.12). Precisamos encher o nosso coração de compaixão e nos lançar à obra objetivando a salvação deste homem. Jesus ao ver a triste situação das multidões que o seguia compadeceu-se delas, pois eram como ovelhas que não tinham pastor, e passou a ensiná-las muitas coisas (Marcos 6.34). O apóstolo Paulo anunciava de dia e de noite com lágrimas e sofrimento o evangelho, com o fim de salvar alguns: (Atos 20.31 e 1Coríntios 9.19-22). Estas passagens deixam claro que para Paulo a vida não valeria nada se não fosse para anunciar Jesus Cristo ao perdido. Em outro lugar ele ressalta esse valor que movia sua vida: “porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus” (Atos 20.24).
É preocupante como esse fator tem sido deixado de lado e até mesmo esquecido pela Igreja. Não é diferente quando observamos a Igreja em sua missão evangelizadora. Nem sempre a Igreja tem esse fator como base para o desenvolvimento desta missão.
As palavras de KUIPER apontam para a relevância deste princípio: “A fé calvinista propõe o mais elevado objetivo da evangelização. E não é a salvação de almas. Nem o crescimento da igreja de Cristo. Tampouco é a vinda do reino de Cristo. Todos estes objetivos da evangelização são importantes, inestimavelmente importantes. Mas são apenas meios para consecução do fim para o qual todas as coisas foram trazidas à existência e continuam existindo, para o qual Deus faz tudo o que faz, no qual a história toda culminará um dia, e no qual estão focalizadas todas as eras da eternidade sem fim – a glória de Deus”[1].
Não devemos fazer a obra da evangelização visando o engrandecimento de uma denominação, de uma igreja, ou de um pregador, mas devemos fazê-la a fim de que Deus seja glorificado.
Essa perspectiva de que a Igreja em sua missão evangelizadora deve buscar a glória de Deus necessita ser resgatada e acentuada em nossos dias. Certamente Deus será imensamente glorificado e honrado quando a sua salvação for anunciada ao mundo todo: (Salmo 96.2-4).
Não nos esqueçamos do hino de louvor que o apóstolo Paulo compôs e registrou na carta aos romanos após ter discorrido sobre o estado do homem (queda) e da ação da graça salvífica de Deus que o redime dizendo que “dEle (Deus), e por meio dEle (Deus), e para Ele (Deus) são todas as coisas. A Ele (Deus) pois, a glória eternamente. Amém” (Romanos 11.36). Em outro lugar o apóstolo assevera: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Coríntios 10.31).
Quanto a esse fator COSTA diz que, “a evangelização visa glorificar a Deus, através do anúncio da natureza de Deus e de sua obra eficaz, efetivada em Cristo Jesus. Ousamos dizer que a evangelização tem fundamentalmente como alvo final glorificar a Deus; e Deus é glorificado através da salvação de seu povo”[2]
Em suma, o desejo de glorificar a Deus deve ser um fator determinante para a Igreja em sua missão evangelizadora.
Pastor Eduardo