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“Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal.” João 17.15
Todos que foram resgatados do império das trevas têm o desejo sobrenatural de buscar uma espiritualidade que agrada a Deus. Na busca desse alvo, o cristão se vê muitas vezes confuso, pois em muitos casos espiritualidade e santidade são entendidos como algo totalmente antagônicos quanto à realidade de viver. Infelizmente muitos dualizaram a vida, penso eu, com a boa intenção de agradar a Deus. Mas esta atitude não trouxe e nunca trará glorificação ao nome de Deus.
A dualização a que me refiro é a de que o “mundo” e as coisas que ele oferece são TODAS essencialmente ruins e conseqüentemente desprezíveis a Deus, e que o bom e agradável a Deus são as coisas que chamadas de espirituais e sacras. Estes enxergam todas as coisas com os óculos do SECULAR vs SAGRADO. Mas é assim mesmo que devemos enxergar o mundo? Essa distinção entre todas as coisas como secular e sagrado, mundano e espiritual é bíblica? Jogar bola, estudar, tocar piano e trabalhar é menos sagrado ou menos espiritual do que ler a bíblia, orar, pregar a palavra de Deus e jejuar? Nossa dificuldade em responder corretamente a esta questão está no fato de não sabermos realmente o que é espiritualidade. Gary DeMar define espiritualidade como ser governado pelo Espírito Santo. Gary DeMar continua dizendo que para muitos, espiritualidade significa estar preocupado com a realidade não-física. Portanto, ser espiritual significa não estar envolvido com as coisas materiais desse mundo.Infelizmente, se o cristão tiver esse tipo de visão quanto à espiritualidade, ele nunca cumprirá efetivamente o que a bíblia nos ensina sobre verdadeira espiritualidade.
A espiritualidade que agrada a Deus vai além das práticas devocionais, pois ela tem por base uma vida que manifesta o fruto do Espírito Santo. É por isso que Jesus não roga ao pai que nos tire do mundo. As pessoas desse mundo devem observar nosso comportamento e enxergar a nossa espiritualidade de maneira que os faça desejar uma mudança em suas vidas. Um comportamento moral, ético e espiritual que vai além dos padrões mais rigorosos do mundo.O Cristão tem a obrigação de iluminar esse mundo em trevas, e só cumpriremos essa responsabilidade, se entendermos que espiritualidade é aplicarmos o fruto do espírito em nossas relações interpessoais com as pessoas deste mundo. No Texto proposto para esta reflexão, encontramos Jesus orando a Deus, pedindo para que não tirasse os seus escolhidos do mundo. Ele faz isso porque quer que seus escolhidos influenciem o mundo, não apenas com suas orações, jejuns, e leitura bíblica, mas também com amor, paz, longanimidade, benignidade, mansidão, domínio próprio, honestidade quer seja na escola, numa quadra, no trabalho ou em uma lan house.
A espiritualidade que agrada a Deus é fruto do que ele mesmo plantou dentro do coração do crente, e não ritos e esquemas pragmáticos que visam um “aproximar-se de Deus”, sem a influência transformadora do fruto do Espírito Santo em nossas vidas.
Rev. Wilson Ribeiro Ferreira